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sábado, 27 de fevereiro de 2010

PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA

1. O ESPAÇO NATURAL E A AÇÃO HUMANA

1.1 Correntes do pensamento geográfico

     A) Determinismo geográfico
       - Origem na escola alemã, sob liderança de F. Ratzel;
       - "O homem é um ser que sofre influência marcante dos fatores físicos, pois o meio natural dita rigidamente as normas de sua ocupação.";
       - Os indivíduos que habitam as regiões tropicais possuem menor desenvolvimento que os habitantes de regiões temperadas, devido a influência do clima quente, que diminui a capacidade destes.

    B) Possibilismo geográfico
       - Origem na escola francesa, sob a liderança de Paul Vidal de La Blache;
       - "O homem sofre a influência do meio em que vive, mas é capaz de exercer influência sobre a natureza, adaptando-se às suas necessidades;
       - O indivíduo sempre está interagindo com o meio que habita.

    C) Geografia crítica
       - A questão de desenvolvimento é vinculada a situação de dependência e exploração existentes entre os países.

    D) Nova Geografia
        - Denominada de quantitativa, surge após a Segunda Guerra Mundial;
        - Escamoteia a realidade vivenciada pelos países subdesenvolvidos, ao afirmar que a situação de pobreza e miséria existente é um estágio superável a partir de adoção de política de planejamentos eficazes.


1.2 Conceitos de Geografia

    * Jean Brunhes: "ciência que estuda a organização do espaço terrestre e suas modificações nele implantadas pelo homem."

     * Levi Marrero: "ciência que estuda as diferentes paisagens da Terra e as modificações nelas introduzidas pelo homem, localizando-as, descrevendo-as, explicando-as e comparando-as entre si."


2. PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA

         A) Princípio da Extensão ou Localização:
             - O geógrafo, ao estudar um fato geográfico ou área, deve proceder à sua localização e delimitação, utilizando para tanto os recursos atribuídos pela Cartografia.
             - Defensor: Frederich Ratzel

          B) Princípio da Analogia /Generalidade ou Geografia Geral
             - Delimitada e observada a área, o geógrafo deve compará-la com outras áreas, buscando semelhanças e diferenças existentes.
             - Defensores: Karl Ritter e Paul Vidal de La Blache

          C) Princípio da Causalidade
             - O geógrafo deve explicar os motivos das ocorrências dos fatos ou paisagens geográficas, ou seja, buscam as causas e examinam as suas consequências. É a própria lei de causa e efeito.

          D) Princípio da Atividade
             - Estuda as paisagens do ponto de vista dinâmico, verificando as mudanças e evoluções existentes nas paisagens (Mutações).
             - Defensor: Jean Brunhes

          E) Princípio da Conexão ou Interação
             - Estuda o relacionamento recíproco entre os fatos. Os fatos jamais devem ser estudados isoladamente, sendo sempre correlacionados. Um fato sempre influencia um outro fato.
             - Defensor: Jean Brunhes

                               EX: CLIMA ------- VEGETAÇÃO ------- SOLO

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O ESPAÇO GEOGRÁFICO E SEUS CONCEITOS

    O espaço geográfico é aquele que foi modificado pelo homem ao longo da história. Que contém um passado histórico e foi transformado pela organização social, técnica e econômica daqueles que habitaram ou habitam os diferentes lugares (“o espaço geográfico é o palco das realizações humanas”).
   Um conceito bastante presente na geografia em geral, o espaço geográfico apresenta definição bastante complexa e abrangente. Outros conceitos também relacionados ao espaço geográfico, ou antes, que estão contidos nele são: lugar, que é um conceito ligado a um local que nos é familiar ou que faz parte de nossa vida, e paisagem que é a porção do espaço que nossa visão alcança e é produto da percepção.
    A primeira definição de “espaço” foi feita pelo filósofo Aristóteles para o qual este era inexistência do vazio e lugar como posição de um corpo entre outros corpos. Aristóteles ignorava o homem como constituinte do espaço, contudo, ele já considerava um aspecto importante da estrutura do espaço geográfico, a localização.
    Mais adiante, no século XVIII, Immanuel Kant define o espaço como sendo algo não passível de percepção, porém, o que permite haver a percepção. Ou seja, Kant introduziu a idéia de que o espaço é algo separado dos demais elementos espaciais. Entretanto, suas idéias não permitem concebê-lo como algo constituído de significado ou estrutura própria.
    Mais tarde, outros filósofos inserem o homem como um componente essencial para a compreensão do espaço, com ser que cria e modifica espaços de acordo com suas culturas e objetivos. Por último, seguiu-se a concepção filosófica de espaço proposta por Maurice Merleau-Ponty: “O espaço não é o meio (real ou lógico) onde se dispõe as coisas, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível.”. Todas estas são concepções filosóficas do espaço que, entretanto, diferem um pouco da concepção geográfica.
    A concepção geográfica de espaço que predominou de 1870 a meados de 1950, embora este ainda não fosse considerado como objeto de estudo, foi a introduzida por Ratzel e Hartshorne para os quais a concepção de “espaço vital” se confundia com a de território a medida em que era atrelado à ele uma relação de poder. Hatshorne usa o conceito de Kant, ou seja, para ele o espaço em si não existe, o que existe são os fenômenos que se materializam neste referencial. Aqui, espaço e tempo são desprezados.
    A partir de 1950 o espaço passa a ser associado à noção de “planície isotrópica” (superfície plana com as mesmas propriedades físicas em todas as direções, homogênea) sob a ação de mecanismos unicamente econômicos (uso da terra, relações centro – periferia, etc.).
    Em 1970 surge uma nova concepção atrelada à geografia crítica, que tem com base os pensamentos marxistas e para a qual o espaço é definido como o locus da reprodução das relações sociais de produção. Nesta concepção espaço e sociedade estão intimamente ligados.
    Mais tarde surge uma nova concepção epistemológica para geografia que passa a encarar o espaço como fenômeno materializado. Ou, nas palavras de ALVES (1999), o espaço “é produto das relações entre homens e dos homens com a natureza, e ao mesmo tempo é fator que interfere nas mesmas relações que o constituíram. O espaço é, então, a materialização das relações existentes entre os homens na sociedade.”.

DIVISÕES DO ESPAÇO

A) ESPAÇO GEOGRÁFICO: aquele que sofre ação do homem (antrópica) e está em constante modificação.

B) ESPAÇO NATURAL: aquele que não sofreu nenhuma ação modificadora por parte do homem ou da natureza ( catástrofes naturais etc).

C) LUGAR: está ligado a espaços que nos são familiarese e que trazem uma identidade, que fazem parte da nossa vida.

D) PAISAGEM: unidade visível do arranjo espacial que a nossa visão alcança, a paisagem tem seu caráter social, pois é formada de movimentos impostos pelo homem através do seu trabalho, cultura, emoção.

E) TERRITÓRIO: é o espaço físico caracterizado pela ação do Poder. Na política, é o espaço nacional controlado pelo Estado -Nação.


F) TERRITORIALIDADE: é a forma como os agentes (políticos, econômicos e sociais)moldam a organização do território.