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sexta-feira, 18 de março de 2011

Catástrofe no Japão - A Geografia explica

Núcleo da Terra: A usina de força que produz terremotos


Sempre que acontecem grandes terremotos, muitas pessoas acreditam que eles sejam provocados por fatores externos, como fase e posição da Lua ou tempestades solares. No entanto, a fonte propulsora dos terremotos está bem abaixo dos nossos pés e foi criada há bilhões de anos.








Quando os terremotos do Haiti e do Chile aconteceram em 2010, diversas pessoas escreveram para nós acreditando que era possível prever os abalos simplesmente relacionando-os às fases da Lua. Agora, passado mais de um ano dessas duas tragédias, alguns especularam que os tremores estariam associados à forte atividade solar, observada quase que simultaneamente.

Infelizmente, isso não é verdade. Se assim o fosse, a previsão dos devastadores terremotos e tsunamis estaria tremendamente facilitada, pois bastaria observar as fases da Lua e a atividade solar para ter elementos suficientes para se prever terremotos. Sonhar é bom!



Fases da Lua
No caso das fases da Lua, o mito surge da ideia de que a força gravitacional provocada pelo nosso satélite, tanto de atração como de repulsão, seriam capazes de influenciar o movimento das placas tectônicas, onde ficam assentados os continentes, as cidades e os oceanos. Isso acontece por que muitas pessoas, ao saberem de um forte terremoto olham a fase da Lua, que coincidentemente pode estar cheia ou não. Se em dois ou três terremotos a Lua estiver cheia, relacionarão erroneamente que a Lua cheia provoca terremotos.

No entanto, esses observadores esquecem que todo ano existem cerca de 12 Luas Cheias. Se considerarmos que todo ano também acontecem aproximadamente 150 terremotos com magnitude acima de 6.0 graus, fica fácil verificar que os tremores acontecem em qualquer fase da Lua, seja ela cheia, nova, minguante ou crescente.

É certo que a atração gravitacional exercida pela Lua tem alguma influência nas camadas mais profundas da crosta e do manto e em alguns casos pode até provocar microssismos, mas não há evidências de que podem disparar terremotos.

Por outro lado, como as fases da Lua influenciam diretamente nas marés oceânicas, alguns estudos mostram que em algumas áreas costeiras podem ocorrer microssismos, neste caso disparados pela força da maré e não pela atração gravitacional da Lua.


Tempestades Solares
Outra teoria imediatamente lançada pelos leigos quando acontecem terremotos é a da influência das tempestades solares, principalmente quando essas acontecem antes de grandes eventos. Neste caso, o raciocínio é mais complexo, mas também incorreto.

A ideia é de que as partículas lançadas pelo Sol interagiriam com a magnetosfera terrestre e também com o magnetismo gerado no núcleo da Terra. Isso, de alguma forma alteraria o magnetismo terrestre a ponto de afetar a movimentação das placas tectônicas.

É importante destacar que não existe qualquer estudo científico que afirme isso e os poucos trabalhos que existem na tentativa de relacionar a influência solar aos terremotos são bastante frágeis e inconclusivos. Até o presente momento, a única influência das tempestades solares sobre nosso planeta está restrita às camadas mais altas da atmosfera, especialmente a ionosfera.

Da mesma forma que as fases da Lua, os terremotos acontecem e sempre vão acontecer, esteja o Sol apresentado instabilidades ou não.

Por outro lado, a teoria das tempestades solares é a que mais se aproxima do modelo adotado cientificamente para explicar os terremotos. Não devido aos humores do Sol, mas por citar a fonte geradora do campo magnético terrestre, o núcleo planetário. É ali que todo o processo tem início e foi criado desde os primeiros momentos da formação do nosso planeta, há 4.5 bilhões de anos.






Correntes Convectivas
Além do campo magnético, o núcleo terrestre é o responsável diretamente pelos tremores de terra sentidos aqui na superfície. A alta temperatura criada nas profundezas da Terra produz correntes de convecção em toda a parte líquida no interior do planeta. Isso faz com que o magma, localizado no topo da astenosfera, se movimente. Como as placas tectônicas estão à deriva sobre o magma incandescente, essas também se movimentam, levando consigo os continentes e provocando a colisão, afastamento e deslizamentos entre as placas.










O núcleo da Terra
O núcleo terrestre é formado por duas regiões. A mais interna é sólida e muito quente, formada por um grande cristal de ferro altamente denso, chamado núcleo interno. Esse núcleo, por sua vez, é envolvido por uma camada líquida, de consistência pastosa e quase sólida, formado entre outros elementos, por ferro, níquel e silício.

O calor no interior do núcleo sólido atinge cerca de 6 mil graus e ainda é remanescente desde a época da formação do nosso planeta. Ao que tudo indica, esse calor é mantido até os dias de hoje graças ao constantemente decaimento dos isótopos radioativos.


Campo Magnético
Os modelos atuais também mostram que é o movimento de convecção do material do núcleo externo ao redor do núcleo interno a causa da formação do campo magnético terrestre. Esse campo se propaga por mais de 60 mil quilômetros no espaço, criando uma região chamada de magnetosfera, capaz de desviar as partículas carregadas que foram ejetadas pelo Sol.

Como vocês podem verificar meus amigos, a Geografia sempre está em nosso cotidiano, sempre podendo explicar aquilo que nossos olhos veem mas não entendem. Sempre que surgirem dúvidas em relação à Geografia pode visitar o Impactogeo que você sempre terá o melhor! Abraço a todos! Até o próximo post.

Artes: no topo, fotos aéreas da cidade de Sendai, na costa nordeste do Japão, horas depois que um tsunami atingiu a localidade, em 11 de março de 2011. Na sequência, Lua Cheia e Tempestade Solar. Dois objetos sempre lembrados para explicar os terremotos. Acima, corte transversal da Terra e esquema das correntes convectivas, que movimentam as placas tectônicas. Créditos: Agência Kyodo/Apolo11.com.

domingo, 9 de maio de 2010

Terremotos e mais terremotos: eles estão mesmo aumentando?

Apesar dos últimos acontecimentos ocorridos no Haiti, Turquia, Chile e Baixa Califórnia, ou mesmo a série de abalos sucessivos registrados atualmente na Turquia terem chamado a atenção da imprensa e das pessoas de modo geral, não existe qualquer comprovação científica de que os tremores estejam aumentando. Nem este ano, nem nas décadas passadas.




Tremores como o que aconteceu no Chile, de 8.8 graus ocorrem em média duas vezes ao ano em todo o planeta, portanto ainda podemos esperar pelo menos mais um abalo dessa magnitude. A única exceção ocorreu em 2004, quando foram registrados quatro abalos nessa faixa de intensidade. Eventos com magnitude entre 7.0 e 7.9, similares aos registrados na Baixa Califórnia em 4 de abril ou norte de Sumatra, no dia de ontem (7 de abril), ocorrem em média 14 vezes ao ano.

Em 2009 ocorreram 16 abalos nessa faixa e nos últimos 500 anos foram registrados pelo menos uma dúzia deles somente na região caribenha. Um deles, de 7.6 graus (oito vezes mais intenso que o do Haiti), atingiu a República Dominicana em 1946 deixando mais de 20 mil desabrigados.


Fatores principais
Existem diversos fatores que contribuem para a sensação de que os terremotos estejam aumentando, mas a rápida expansão nas telecomunicações e o aumento nas estações registradoras são apontados como o principal responsável por essa impressão. Em 1931, a rede sismográfica mundial contava com menos de 400 estações registradoras e atualmente esse número ultrapassa 4 mil. Somente os EUA possuem 8 mil estações.





Terremotos atuais
Diariamente ocorrem mais de cem terremotos na faixa de 2.5 graus de magnitude ao longo da falha de San Andreas, mas por serem corriqueiros passam praticamente despercebidos. No entanto, depois do terremoto de 7.8 graus ocorrido na Baixa Califórnia no último domingo, o USGS, órgão norte-americano responsável pelo monitoramento sísmico no país passou a divulgá-los diariamente, elevando tremendamente o número de eventos conhecidos e informados pela imprensa.

O incremento de estações e a capacidade de disseminar os dados registrados mais rapidamente através de satélites, telex e internet permitiu aos centros sismológicos localizar pequenos abalos praticamente indetectáveis anos atrás, tornando sua divulgação praticamente imediata, colaborando ainda mais para a sensação de aumento de sismos.

2010
Esse ano está testemunhando uma sequência notável de eventos entre 6.9 e 7.0 graus que estão ocorrendo de forma menos espaçada, mas é necessário mais tempo para avaliar se a quantidade ficará ou não dentro da média. Mesmo assim, é importante destacar que os eventos principais não estão ocorrendo na mesma zona ativa e sim em pontos separados do planeta, sobre placas tectônicas diferentes. O evento do Chile, por exemplo, ocorreu na junção entre as placas sul-americana e de Nazca enquanto que o da Baixa Califórnia ocorreu sobre a falha de San Andreas, ambas distantes do norte de Sumatra, localizada sobre a placa indo-australiana.

Até o presente momento, cientificamente não existe qualquer relação entre os sismos ocorridos e a proximidade entre os eventos só pode ser atribuído ao acaso.


Artes: No topo, tela do site Painel Global mostra o evento de 7.7 graus ocorrido em Sumatra, em 6 de abril de 2010 e grande sismicidade na região da Turquia e Europa. Acima, tabela mostra a quantidade de terremotos ocorridos desde 2000 até 7 de abril de 2010. Crédito: Painel Global/USGS.

domingo, 25 de abril de 2010

TERREMOTOS NO BRASIL ASSUSTAM POPULAÇÃO NO CEARÁ E EM PERNAMBUCO

Moradores de Cupira e Belém de Maria, na zona da mata e agreste de Pernambuco, estão assustados com a frequência dos tremores de terra que vêm atingindo a região. Desde o último fim de semana, foram registrados pelo menos 60 pequenos abalos nos municípios. O maior teve intensidade de 2,8 graus na escala Richter.




Embora sem grandes estragos, os tremores provocaram rachaduras nas paredes de algumas casas e estão deixando a população insegura. Por isso, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) resolveram instalar seis sismógrafos em Belém de Maria até o próximo domingo (25).

Os sismógrafos vão monitorar o solo e ajudar a identificar a área exata aonde os tremores vêm ocorrendo. Segundo os estudiosos, esta é a primeira vez que tremores de terra são registrados em Belém de Maria. Há pouco mais de um mês, o município pernambucano de Alagoinha também sentiu sucessivos abalos, sendo o maior de magnitude 3,2 graus.

Pernambuco, Ceará e o Rio Grande do Norte são os Estados com maior atividade sísmica do Brasil. Estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte já identificaram falhas geológicas e vários fragmentos de rochas antigas sob a Região Nordeste, que favorecem os abalos. Os eventos ocorrem por acomodações nas camadas geológicas e são sempre de baixa profundidade.



Terremotos no Brasil

Entre 15 e 20 sismos são registrados anualmente no Brasil, a maioria com magnitude próxima a 2.5 graus.



O país possui uma rede sismográfica muito pequena, incapaz de apresentar dados estatísticos satisfatórios e muitos sismos de pequena magnitude não são detectados, principalmente quando ocorrem em regiões distantes ou isoladas.

Um aumento na quantidade de estações revelaria um cenário bastante diferente, com um número de tremores bem maior do que o registrado atualmente.











Maior terremoto no Brasil

O terremoto mais intenso já registrado no Brasil ocorreu em Porto dos Gaúchos, no norte de Mato Grosso, em 31 de janeiro de 1955. Na ocasião os sismógrafos registraram 6.2 graus de magnitude.

O Estado de São Paulo também já registrou abalos significativos. Em 1922 um violento abalo de 5.2 graus foi registrado na cidade de Mogi-Guaçu e em 22 de abril de 2008, outro tremor de 5.2 graus ocorrido no litoral paulista foi sentido com muita intensidade em diversas cidades do Estado, além de Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.





Foto: Praça da Matriz, Belém de Maria (PE). O município registrou cerca de 60 tremores de terra em quatro dias. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte deverá instalar seis sismógrafos na cidade para estudar o fenômeno. Crédito: Governo de Pernambuco. Na sequência, mapa neotectônico mostra diversas falhas geológicas em território brasileiro: BR 24, 25, 26, 27, 28, 29 e BR 47. Chama a atenção a falha BR 47, localizada no norte do Estado de Minas Gerais e situada à margem esquerda do rio São Francisco. A falha se localiza exatamente abaixo da cidade de Itacarambi, onde ocorreu o sismo de 9 de dezembro de 2007.

sábado, 3 de abril de 2010

Terremotos: Turquia tenta se preparar para o Big One

Dois grandes terremotos ocorridos por movimentos tectônicos distintos 
fizeram o começo de 2010 entrar para a história. 
Em dois meses, o mundo acompanhou atônito duas enormes tragédias. 
O abalo de 7 graus de magnitude no Haiti em 12 de 
janeiro foi provocado 
pelo deslizamento das placas Caribenha e Norte-Americana 
e deixou pelo
menos 230 mil mortos. 
O terremoto de 8.8 graus do Chile em 27 de fevereiro foi o segundo mais forte 
do país e aconteceu com devido ao mergulho da placa de Nazca abaixo 
da placa Sul-Americana. Por sua localização, mais afastado da costa, 
o número de vítimas fatais foi inferior ao do Haiti, não ultrapassando mil 
pessoas. 
 



Vista 
panorâmica da cidade de Istambul
Vista panorâmica da cidade de Istambul















O Haiti convive com inúmeros problemas decorrentes do terremoto 
de janeiro e o Chile vai precisar de pelo menos três anos para 
reconstruir as cidades mais atingidas.
Outras diversas partes do mundo vivem a mesma vulnerabilidade e 
a incerteza de quando um grande abalo irá acontecer. 
Algumas localizações são mais propensas a terremotos e esperam por eles. 
A falha de San Andreas, na Califórnia, é uma dessas zonas e aguarda 
ao que os estudiosos chamam de “Big One”, ou "O Maior".

Turquia
Concentrando grandes esforços para minimizar os danos de um 

intenso terremoto, a Turquia vem se preparando também para o seu
“Big One”. 
O país está sobre a falha de Anatólia do Norte, uma região semelhante 
à falha 
de San Andreas e extremamente frágil. Ali, no último dia 8 de março, um 
terremoto moderado de 5,9 graus de magnitude no leste da Turquia deixou 
51 mortos.
Istambul, capital européia do país, convive com contrastes, analisa 
Mustafa Erdik, diretor de um instituto de engenharia de terremotos da 
cidade. 
Erdik liderou um estudo onde mapeou uma situação na qual um 
terremoto poderia matar de 30 a 40 mil pessoas e ferir 120 mil.




Falha de Anatólia
 

















Contrastes
Existe o lado moderno da cidade com construções já preparadas 

para suportar um grande terremoto, como o imenso terminal do aeroporto.
No entanto, dezenas de milhares de prédios por toda a metrópole 
não estão preparados para fortes tremores. A população saltou de 
1 milhão para 
10 milhões em 50 anos e os edifícios foram construídos às pressas sem
preocupação e com uso de materiais de baixa qualidade. 
Os monumentos antigos de Istambul também estão na lista da destruição.
Em 1999, um terremoto na cidade de Izmit, a 80 quilômetros de 
Istambul matou 18 mil pessoas, sendo mil nos arredores da cidade 
e aconteceu exatamente na falha de Anatólia do Norte, que passa sob 
o Mar de Mármara. Um levantamento geológico dos Estados Unidos 
identificou um padrão de sismos sucessivos nesta falha semelhante 
ao da falha de San Andreas, na Califórnia.

Plano de Emergência
A equipe de Erdik e pesquisadores de três outras universidades

da Turquia elaboraram um plano mestre para terremotos colocando
Istambul entre as cidades do mundo que estão tentando se 
antecipar ao risco. Uma exceção ao lado de cidades mais ricas 
como Los Angeles e Tóquio.
Na prática são códigos de construção mais rígidos, seguro 
obrigatório contra terremoto e empréstimos de bancos de 
desenvolvimento internacionais para reforço ou substituição 
de escolas e outros prédios públicos. Em bairros pobres, 
também há um trabalho com o treinamento de dezenas de 
equipes de voluntários em bairros pobres, a entrega de kits 
de primeiro socorros e equipamentos como rádios e pés-de-cabra.
Na previsão de um grande terremoto no país, 30 mil linhas de 
gás natural provavelmente vão se romper gerando mais de 
3 mil focos de incêndio, alerta Mahmut Bas, que lidera o 
Departamento de Terremoto e Análise do Solo de Istambul. 
Ainda assim, os esforços em manter em pé postos do corpo 
de bombeiros, hospitais e escolas são prioridade nos planos 
emergenciais do país.


Fotos: No topo, vista panorâmica da cidade de Istambul, 

às margens do Estreito de Bósforo, principal ligação entre 
a Àsia e a Europa. Acima, gráfico comparativo mostra a 
semelhança entre as falhas de Anatólia do Norte e falha de 
San Andreas, na costa da Califórnia. Os valores apresentados 
indicam a movimentação relativa anual entre as falhas. 
Créditos: Wikimedia Commons/USGS/Apolo11.com.
 
Fonte: Apolo11 - http://www.apolo11.com/terremotos_globais.php?posic=dat_20100309-184831.inc