PREVISÃO DO TEMPO

Você gostou do Blog?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA

Boa noite queridos amigos do Impactogeo!

Venho através deste post trazer meus sinceros sentimentos às famílias das pequenas vítimas desse horror que ocorreu no Rio de Janeiro e repudiar intensamente qualquer tipo de violência que infelizmente vem assolando a nossa sociedade.

Como cidadão e principalmente como educador fiquei consternado com as notícias, imagens e depoimentos que surgiram após esse ato de violência extrema que atingiu crianças inocentes que estavam em seu ambiente de estudo, juntos aos professores e amigos.

Infelizmente os governantes continuam cada vez mais omissos em relação à proteção da sociedade, pois nesse caso específico ocorrido em Realengo, Rio de Janeiro, observa-se que o assassino conseguiu entrar em uma escola sem haver o mínimo de intervenção. Entrou e fez várias vítimas, atingindo sem piedade crianças que tinham um enorme futuro pela frente e que tiveram suas vidas interrompidas. Nossas crianças merecem mais respeito e mais proteção diante de tanta violência.

As famílias dessas pequenas vítimas estão sofrendo com o problema que assola todo o nosso país, a falta de segurança pública, e o mais grave ainda é que crianças são as mais atingidas na atualidade.

Vários pais sentem-se amendrontados com a expansão da violência rumo a ambientes anteriormente ditos tranquilos, como as suas casas e principalmente escolas. Cabe cobrar ainda mais do governo políticas de proteção constante em todos os setores da sociedade.

Esperar que outras crianças ou cidadãos brasileiros venham perder as suas vidas para que se faça algo será a continuação de um erro que já vem ocorrendo há muito tempo.

Deixo aqui minha indignação perante a situação de omissão apresentada nesse triste episódio da escola em Realengo, Rio de Janeiro. Uma tragédia anunciada que poderia ocorrer com qualquer um de nós e que ainda pode ocorrer caso os governantes não tomem as devidas providências....

Saudações a todos e que as famílias que foram atingidas por essa imensa tragédia sintam-se abraçadas por esse educador que ainda sonha com um Brasil melhor para todos, principalmente nossas crianças.

Joffreson Santos



















terça-feira, 5 de abril de 2011

Buraco na camada de ozônio atinge nível recorde no Ártico

Bom dia amigos do Impactogeo, bem-vindos à interatividade com a Geografia!

Hoje mais uma vez um post importante para todos que acompanham as mudanças climáticas que estão ocorrendo em nosso planeta. Os cientistas céticos afirmam que não há nenhuma comprovação de Aquecimento Global, pois bem, o que eles diriam sobre a informação que o Impactogeo traz abaixo? Uma resposta que todos gostariam de ouvir.

Curtam bastante as informações abaixo e repassem todo esse conhecimento que vocês estão adquirindo ok. Abraço a todos!

O buraco na camada de ozônio acima do Ártico chegou a nível recorde segundo informações da Organização Meteorológica Mundial divulgadas nesta terça-feira (5). A diminuição na camada acima da área chegou a 40% durante o inverno no hemisfério norte. O recorde anterior era de 30%.

Para a OMM, substâncias que destroem a camada de ozônio continuam a ser emitidas como o clorofluorcarbonetos (CFCs) - lançados na atmosfesta por extintores de incêndio, sprays e refrigeradores. Apesar de recorde, o número já era esperado pelos especialistas do órgão ligado às Nações Unidas (ONU).

A perda de ozônio na atmosfera também acontece sobre a região da Antártida. Mas segundo a OMM, os danos na região polar do hemisfério sul estão diminuindo com o tempo, com a recuperação da camada no local.

Proteção

A camada protege a superfície terrestre da exposição exagerada a raios ultravioletas, que podem causar câncer na pele, cataratas nos olhos e comprometer o sistema de defesa do corpo de humanos. Os danos também atingem outros animais e plantações.
A medição foi feita durante o inverno no hemisfério norte, que terminou durante o mês de março. Segundo a OMM, o frio excessivo na estratosfera - região onde fica a camada de ozônio - pode ser uma das causas para a diminuição recorde.
Quando a temperatura nesta parte da atmosfera - entre 10 a 50 quilômetros de altitude, acima da maior montanha da Terra, o Everest, com 8.849 metros de altura - fica abaixo de 78 graus Celsius negativos, o efeito nocivo na camada de ozônio acontece, já que nuvens se formam nas regiões polares e reagem com a camada.
O Protocolo de Montreal, estabelecido há 31 anos, havia combatido o uso de substâncias emissoras de CFCs, mas, para o braço meteorológico da ONU, a causa para a perda de ozônio ainda está ligada a atividades humanas que destroem a camada. O objetivo final do acordo é que os níveis de destruição da camada sejam menores do que eram em 1980.

domingo, 3 de abril de 2011

BIOMAS BRASILEIROS - PARTE 4

1. Zona Costeira-Mangues






A Zona Costeira brasileira é extensa e variada. O Brasil possui uma linha contínua de costa com mais de 8 mil quilômetros de extensão, uma das maiores do mundo. Ao longo dessa faixa litorânea é possível identificar uma grande diversidade de paisagens como dunas, ilhas, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos e falésias.

Dependendo da região, o aspecto é totalmente diferente do encontrado a poucos quilômetros de distância. Mesmo os ecossistemas que se repetem ao longo do litoral - como praias, restingas, lagunas e manguezais - apresentam diferentes espécies animais e vegetais. Isso se deve, basicamente, às diferenças climáticas e geológicas.

O litoral amazônico, que vai da foz do Rio Oiapoque ao Rio Parnaíba, é lamacento e tem em alguns trechos mais de 100 km de largura. Apresenta grande extensão de manguezais, assim como matas de várzeas de marés. Jacarés, guarás e muitas espécies de aves e crustáceos são alguns dos animais que vivem nesse trecho.

O litoral nordestino começa na foz do Rio Parnaíba e vai até o Recôncavo Baiano. É marcado por recifes calcáreos e arenitos, além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixa, movem-se com a ação do vento. Há ainda nessa área manguezais, restingas e matas. Nas águas do litoral nordestino vivem tartarugas e o peixe-boi marinho, ambos ameaçados de extinção.

O litoral sudeste segue do Recôncavo Baiano até São Paulo: a área mais densamente povoada e industrializada do país. Suas áreas características são as falésias, recifes, arenitos e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom escura). É dominado pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada, com várias baías e pequenas enseadas. O ecossistema mais importante dessa área é o das matas de restingas. Nessa parte do litoral é possível encontrar espécies como a preguiça-de-coleira e o mico-sauá, dois animais ameaçados de extinção.

O litoral sul começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Cheio de banhados e manguezais, o ecossistema da região é riquíssimo em aves, mas há também outras espécies: ratão-do-banhado, lontras, capivaras etc.

Há muito ainda para se conhecer sobre a dinâmica ecológica do litoral brasileiro. Complexos sistemas costeiros distribuem-se ao longo, fornecendo áreas para a criação, crescimento e reprodução de inúmeras espécies de flora e fauna.


 AMEAÇAS


Grande parte da zona costeira brasileira está ameaçada pela superpopulação e por atividades agrícolas e industriais. É aí, seguindo essa imensa faixa litorânea, que vive mais da metade da população brasileira.

Isto é, a integridade ecológica da costa brasileira acaba pressionada pelo crescimento dos grandes centros urbanos e, conseqüentemente, pela poluição, pela especulação imobiliária sem planejamento e pelo enorme fluxo de turistas. A ocupação predatória vem ocasionando a devastação das vegetações nativas, o que leva, entre outras coisas, à movimentação de dunas e até ao desabamento de morros.


O aterro dos manguezais, por exemplo, coloca em perigo espécies animais e vegetais, além de destruir um importante "filtro" das impurezas lançadas na água. As raízes parcialmente submersas das árvores do mangue espalham-se sob a água retendo sedimentos e evitando que eles escoem para o mar.

Alguns mangues estão estrategicamente situados entre a terra e o mar, formando um estuário para a reprodução de peixes. Já a expulsão das populações caiçaras está acabando com uma das culturas mais tradicionais e ricas do Brasil.

Outra ação danosa é o lançamento de esgoto no mar, sem qualquer tratamento, e as operações de terminais marítimos que vêm provocado o derramamento de petróleo, entre outros problemas graves.




 2. Zonas de Transição




Entre a Amazônia e o Cerrado está localizada a Mata Seca, ou floresta mesófila semidecídua. Representa uma forma florestal de manchas inclusas com características comuns do Cerrado, sendo por vezes contornadas ou ladeadas por manchas desse bioma.

Quase sempre seus maciços ocorrem em locais afastados dos cursos de água ou da umidade permanente, em terrenos ondulados ou planos. No entanto, os maciços tornam-se menos freqüentes nos declives e dorsos das elevações acentuadas.

O babaçu (Orbygnia phalerata mart) é uma palmeira nativa das regiões norte e nordeste do Brasil. Compõe extensas florestas, ocupando áreas onde a floresta primária foi desmatada. Além do nome babaçu, também é conhecida por bagassú, aguassú e coco de macaco. Ocorre em uma zona de transição entre as florestas úmidas da bacia amazônica e as terras semi-áridas do Nordeste brasileiro.

O clima nessa área é bem mais úmido do que na Caatinga, com vegetação mais exuberante à medida em que se avança para o oeste. A vegetação natural é a mata dos cocais, onde se encontra a palmeira babaçu, da qual é extraído óleo utilizado na fabricação de cosméticos, margarinas, sabões e lubrificantes. A economia local é basicamente agrícola, predominando as plantações de arroz nos vales úmidos do estado do Maranhão. Na década de 80, no entanto, teve início o processo de industrialização da área, com a instalação de indústrias que constituem extensões dos projetos minerais da Amazônia.

Já na transição entre o Cerrado e a Caatinga pode observar-se uma vegetação mais rica que a da Caatinga, com florestas de árvores de folhas secas. Naturalmente, o clima é mais seco que o do Cerrado, com solo mais ressecado e períodos mais intensos sem chuva. A maior parte desta área está na fronteira do Cerrado com o sertão, no interior de estados nordestinos


Bom dia a todos os amigos do Impactogeo!

Com esse post encerro a temática acerca dos Biomas Brasileiros, sempre incentivando a todos que preservem, dentro de suas possibilidades, essa enorme biodiversidade existente em nosso território, que denunciem às autoridades qualquer das ameaças que procurei citar, pois somente dessa maneira podemos evitar um desastre ambiental que afetará as futuras gerações.

Com pequenas ações sempre conseguiremos deter esse avanço desenfreado do homem sobre a natureza que nos cerca. Temos que utilizar a natureza de forma sustentável, para que possamos deixar para nossos filhos, netos e demais descendentes um planeta possível de sobrevivência.

Continuem acompanhando o Impactogeo, pois nos próximos posts teremos temas importantíssimos para quem vai fazer ENEM e demais vestibulares.

Um abraço e até o nosso próximo encontro!

sábado, 2 de abril de 2011

BIOMAS BRASILEIROS - PARTE 3

1. CERRADO

A extensa região central do Brasil compõe-se de um mosaico de tipos de vegetação, solo, clima e topografia bastante heterogêneos. O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira, superado apenas pela Floresta Amazônica. São 2 milhões de km2 espalhados por 10 estados, ou 23,1% do território brasileiro. O Cerrado é uma savana tropical na qual a vegetação herbácea coexiste com mais de 420 espécies de árvores e arbustos esparsos. O solo, antigo e profundo, ácido e de baixa fertilidade, tem altos níveis de ferro e alumínio.

Este bioma também se caracteriza por suas diferentes paisagens, que vão desde o cerradão (com árvores altas, densidade maior e composição distinta), passando pelo cerrado mais comum no Brasil central (com árvores baixas e esparsas), até o campo cerrado, campo sujo e campo limpo (com progressiva redução da densidade arbórea). Ao longo dos rios há fisionomias florestais, conhecidas como florestas de galeria ou matas ciliares. Essa heterogeneidade abrange muitas comunidades de mamíferos e de invertebrados, além de uma importante diversidade de microorganismos, tais como fungos associados às plantas da região.

O Cerrado tem a seu favor o fato de ser cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins, São Francisco e Prata), favorecendo a manutenção de uma biodiversidade surpreendente.

Estima-se que a flora da região possua 10 mil espécies de plantas diferentes (muitas usadas na produção de cortiça, fibras, óleos, artesanato, além do uso medicinal e alimentício). Isso sem contar as 759 espécies de aves que se reproduzem na região, 180 espécies de répteis, 195 de mamíferos, sendo 30 tipos de morcegos catalogados na área. O número de insetos é surpreendente: apenas na área do Distrito Federal há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e 500 tipos diferentes de abelhas e vespas.

O Cerrado tem um clima tropical com uma estação seca pronunciada. A topografia da região varia entre plana e suavemente ondulada, favorecendo a agricultura mecanizada e a irrigação. Estudos recentes indicam que apenas cerca de 20% do Cerrado ainda possui a vegetação nativa em estado relativamente intacto.

AMEAÇAS

As duas principais ameaças à biodiversidade do Cerrado estão relacionadas a duas atividades econômicas: a monocultura intensiva de grãos e a pecuária extensiva de baixa tecnologia. O uso de técnicas de aproveitamento intensivo dos solos tem provocado, há anos, o esgotamento dos recursos locais. A utilização indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes tem contaminado também o solo e a água. Os poucos blocos de vegetação nativa ainda inalterada no Cerrado devem ser considerados prioritários para implementação de áreas protegidas, já que apenas 0,85% do Cerrado encontra-se oficialmente em unidades de conservação.

Mas o problema do Cerrado não se resume apenas ao reduzido número de áreas de conservação ou à caça ilegal, que já seriam questões suficientes para preocupação. O problema maior tem raízes nas políticas agrícola e de mineração impróprias e no crescimento da população. Historicamente, a expansão agropastoril e o extrativismo mineral têm se caracterizado por um modelo predatório. A ocupação da região é desejável, mas desde que aconteça racionalmente.

A destruição e a fragmentação de habitats consistem, atualmente, na maior ameaça à integridade desse bioma: 60% da área total é destinada à pecuária e 6% aos grãos, principalmente soja. De fato, cerca de 80% do Cerrado já foi modificado pelo homem por causa da expansão agropecuária, urbana e construção de estradas - aproximadamente 40% conserva parcialmente suas características iniciais e outros 40% já as perderam totalmente. Somente 19,15% corresponde a áreas nas quais a vegetação original ainda está em bom estado.


2. PANTANAL


O Pantanal é um dos mais valiosos patrimônios naturais do Brasil. Maior área úmida continental do planeta – com aproximadamente 210 mil km2, sendo que 140 mil km2 em território brasileiro, em parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – o Pantanal destaca-se pela riqueza da fauna, onde dividem espaço 263 espécies de peixes, 122 espécies de mamíferos, 93 espécies de répteis, 1.132 espécies de borboletas e 656 espécies de aves. As chuvas fortes são comuns nesse bioma. Os terrenos, quase sempre planos, são alagados periodicamente por inúmeros corixos e vazantes entremeados de lagoas e leques aluviais. Na época das cheias estes corpos comunicam-se e mesclam-se com as águas do Rio Paraguai, renovando e fertilizando a região.

O equilíbrio desse ecossistema depende, basicamente, do fluxo de entrada e saída de enchentes que, por sua vez, está diretamente ligado à pluviosidade regional.

De forma geral, as chuvas ocorrem com maior freqüência nas cabeceiras dos rios que deságuam na planície.

Com o início do trimestre chuvoso nas regiões altas (a partir de novembro), sobe o nível de água dos rios, provocando as enchentes.

O mesmo ocorre paralelamente com o Rio Paraguai, não havendo como escoar toda a água acumulada. As águas se espalham e cobrem, continuamente, vastas extensões em busca de uma saída natural, que só é encontrada centenas de quilômetros adiante, no encontro com o Rio Paraná, que deságua no Rio da Prata e este, no Oceano Atlântico, fora do território brasileiro. As cheias chegam a cobrir até 2/3 da área pantaneira.

A partir de maio inicia-se a "vazante" e as águas começam a baixar lentamente. Quando o terreno volta a secar permanece, sobre a superfície, uma fina mistura de areia, restos de animais e vegetais, sementes e húmus, propiciando grande fertilidade ao solo.

A natureza repete, anualmente, o espetáculo das cheias, proporcionando ao Pantanal a renovação da fauna e flora local. Esse enorme volume de água, que praticamente cobre a região pantaneira, forma um verdadeiro mar de água doce onde milhares de peixes proliferam. Peixes pequenos servem de alimento a espécies maiores ou a aves e animais.

Quando o período da vazante começa, uma grande quantidade de peixes fica retida em lagoas ou baías, não conseguindo retornar aos rios. Durante meses, aves e animais carnívoros (jacarés, ariranhas e outros) têm, portanto, um farto banquete à sua disposição.
As águas continuam baixando mais e mais e nas lagoas, agora bem rasas, peixes como o dourado, pacu e traíra podem ser apanhados com as mãos pelos homens. Aves grandes e pequenas são vistas planando sobre as águas, formando um espetáculo de grande beleza.


AMEAÇAS

Embora boa parte da região continue inexplorada, muitas ameaças surgem em decorrência do interesse econômico que existe sobre essa área. A situação começou a se agravar nos últimos 20 anos, sobretudo pela introdução de pastagens artificiais e pela exploração das áreas de mata. O Pantanal tem passado por transformações lentas, mas significativas, nas últimas décadas. O avanço das populações e o crescimento das cidades são uma ameaça constante. A ocupação desordenada das regiões mais altas, onde nasce a maioria dos rios, é o risco mais grave.

A agricultura indiscriminada está provocando a erosão do solo, além de contaminá-lo com o uso excessivo de agrotóxicos. O resultado da destruição do solo é o assoreamento dos rios (bloqueio por terra), fenômeno que tem mudado a vida na região. Áreas que antes ficavam alagadas nas cheias e completamente secas quando as chuvas paravam, agora ficam permanentemente sob as águas. Também causaram grande impacto, nos últimos anos, o garimpo, a construção de hidrelétricas, o turismo desorganizado e a caça, empreendida principalmente por ex-peões que, sem trabalho, passaram a integrar verdadeiras quadrilhas de caçadores de couro.

Depois de 1989 o risco de um desequilíbrio total do ecossistema pantaneiro ficou mais próximo de se tornar uma triste realidade. A razão dessa ameaça era o megaprojeto de construção de uma hidrovia de mais de 3.400 km nos rios Paraguai (o principal curso de água do Pantanal) e Paraná - ligando Cáceres, no Mato Grosso, a Nova Palmira, no Uruguai. Apesar de o Governo ter abandonado a idéia de alterar (com a construção de diques e trabalhos de dragagem) o percurso do Rio Paraguai, a navegação ainda apresenta riscos. A degradação das matas ciliares, barrancos, meandros e leito do rio, em conseqüência da forma como a navegação está sendo executada atualmente, exigem medidas imediatas de recuperação e regulamentação das embarcações e de controle de tráfego.


Fonte: WWF BRASIL 2011

Mais dois Biomas muito importantes para nosso país e que infelizmente estão sendo tratados de forma ineficaz e sem nenhuma proteção imediata. Nossos governantes observam a destruição desses biomas e não agem através de suas reais possibilidades, como legisladores, para que haja uma forte proteção à toda biodiversidade brasileira.

Abraço a todos!!!

Joka Santos

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Satélite revela a mais exata imagem da gravidade da Terra

Não posso deixar de agradecer as várias mensagens de carinho que recebo de alunos e visitantes do Impactogeo. A todos o meu muito obrigado, pois é através desse reconhecimento que vejo o quanto estou sendo útil na expansão de um conhecimento tão maravilhoso como o da Geografia. Sinto-me lisonjeado com tantos elogios. Continuarei honrando meu compromisso como educador e farei o melhor para que o Impactogeo continue cada vez melhor! Abraços a todos!

Já em relação a esse post, fiquei maravilhado com a imagem verdadeira de nosso planeta. Tanto se questionava se a Terra era ou não redonda (que o diga Cristovão Colombo), se os polos eram ou não achatados e agora sim surgiu a revelação da imagem real de nosso planeta.



O satélite GOCE, da ESA, agência espacial europeia, mapeou a gravidade da Terra com detalhamento sem precedentes. Agora, os cientistas têm acesso a um modelo geoide (forma verdadeira da Terra, que não é esférica, mas sim achatada nos polos) mais preciso para que se entenda como o planeta funciona.

A imagem mostra a superfície ideal do oceano, na ausência de marés e correntes marítimas, moldada pela gravidade. Ela serve como referência para medir a movimentação dos oceanos, a mudança no nível do mar e a dinâmica do gelo – e como tudo isso é afetado pelas mudanças climáticas.

- [...] Estou particularmente animado com os primeiros resultados oceanográficos. Eles mostram que o [satélite] GOCE nos fornece a topografia dinâmica e os padrões de circulação nos oceanos com qualidade e resolução sem precedentes. Estou confiante que esses resultados vão nos ajudar a melhorar a compreensão da dinâmica dos oceanos no mundo.

Especialistas estão discutindo o uso do satélite para conseguir avanços no estudo dos oceanos e do clima e melhorar o entendimento sobre a estrutura interna da Terra.

Uma das opções é analisar os dados fornecidos pelo satélite para conhecer com mais profundidade os processos que causam terremotos, como o que atingiu o Japão recentemente.

Como esse terremoto foi causado pelo movimento das placas tectônicas abaixo do nível do oceano, essa ação das placas não consegue ser detectada do espaço, mas os terremotos deixam marcas na gravidade do planeta que poderiam ser usadas para entender os processos causadores desse tipo de catástrofe e, finalmente, ajudar a prevê-la.

Lançado em 2009, o satélite GOCE já recolheu dados sobre a gravidade terrestre por um ano.

quinta-feira, 31 de março de 2011

BIOMAS BRASILEIROS - PARTE 2

CAMPOS DO SUL - PAMPAS GAÚCHOS

 

Além de florestas tropicais, Pantanal, Cerrado e Caatinga, os Campos também fazem parte da paisagem brasileira. No sul do país, a vegetação é composta por campos limpos, as chamadas estepes úmidas.

De um modo geral, o campo limpo é destituído de árvores, com uma composição bastante uniforme e com arbustos espalhados e dispersos. O solo é revestido de gramíneas, subarbustos e ervas.

Entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os Campos formados por gramíneas e leguminosas nativas se estendem como um tapete verde por uma região de mais de 200 mil km2. Nas encostas, esses campos tornam-se mais densos e ricos. Nessa região, com muita mata entremeada, as chuvas distribuem-se regularmente pelo ano todo e as baixas temperaturas reduzem os níveis de evaporação. Tais condições climáticas favorecem o crescimento de árvores.

Os Campos do Sul ocorrem no chamado "Pampa", uma região plana de vegetação aberta e de pequeno porte que se estende do Rio Grande do Sul para além das fronteiras com a Argentina e o Uruguai. São áreas planas, revestidas de gramíneas e outras plantas encontradas de forma escassa, como tufos de capim que atingem até um metro de altura.

Descendo ao litoral do Rio Grande do Sul, a paisagem é marcada pelos banhados, isto é, ecossistemas alagados com densa vegetação de juncos, gravatás e aguapés que criam um habitat ideal para uma grande variedade de animais como garças, marrecos, veados, onças-pintadas, lontras e capivaras. O banhado do Taim é o mais importante, devido à riqueza do solo. Tentativas extravagantes de drená-lo para uso agrícola foram definitivamente abandonadas a partir de 1979, quando a área transformou-se em estação ecológica.

Mesmo assim, a ação de caçadores e o bombeamento das águas pelos fazendeiros das redondezas continuam a ameaçar o local.

Ameaças

O domínio das florestas e dos campos meridionais se estende desde o Rio Grande do Sul até parte dos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. O clima é ameno e o solo naturalmente fértil. A junção destes dois fatores favoreceu a colonização acelerada no último século, principalmente por imigrantes europeus e japoneses que alcançaram elevados índices de produtividade na região.

Devido à riqueza do solo, as áreas cultivadas do Sul se expandiram rapidamente sem um sistema adequado de preparo, resultando em erosão e outros problemas que se agravam progressivamente. Atualmente os campos, que já representaram 2,4% da cobertura vegetal do país, são amplamente utilizados para a produção de arroz, milho, trigo e soja, às vezes em associação com a criação de gado. A desatenção com o solo, entretanto, leva à desertificação, registrada em diferentes áreas do Rio Grande do Sul.

A criação de gado e ovelhas também faz parte da cultura local. Porém, repetindo o mesmo erro dos agricultores, o pastoreio está provocando a degradação do solo. Na época de estiagem, quando as pastagens secam, o mesmo número de animais continua a disputar áreas menores. Com o pasto quase desnudo, cresce a pressão sobre o solo que se abre em veios. Quando as chuvas recomeçam, as águas correm por essas depressões dando início ao processo de erosão. O fogo utilizado para eliminar restos de pastagens secas torna o solo ainda mais frágil.

Para expandir a área plantada, colonos alemães e italianos iniciaram, na primeira metade do século, a exploração indiscriminada de madeira. Árvores gigantescas e centenárias foram derrubadas e queimadas para dar lugar ao cultivo de milho, trigo e videira, principalmente. A mata das araucárias ou pinheiros-do-paraná, de porte alto e copa em forma de prato, estendia-se do sul de Minas Gerais e São Paulo até o Rio Grande do Sul, formando cerca de 100.000 km2 de matas de pinhais. Na sua sombra cresciam espécies como a imbuia, o cedro, a canela, entre outras.

Por mais de 100 anos a mata dos pinhais alimentou a indústria madeireira do sul. O pinho, madeira bastante popular na região, foi muito usado na construção de casas e móveis. Hoje restam apenas 2% da cobertura original da mata das araucárias. O que resta da vegetação original está confinado a áreas de conservação do estado.



MATA ATLÂNTICA - FLORESTA TROPICAL


A natureza exuberante que se estendia pelos cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados de Mata Atlântica na época do descobrimento marcou profundamente a imaginação dos europeus. Mais do que isso, contribuiu para criar uma imagem paradisíaca que ainda hoje faz parte da cultura brasileira, embora a realidade seja outra. A exploração predatória a que fomos submetidos destruiu mais de 93% deste “paraíso”. Uma extraordinária biodiversidade, em boa parte peculiar somente a essa região, seriamente ameaçada.

A Mata Atlântica abrange as bacias dos rios Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco. Originalmente estendia-se por toda a costa nordeste, sudeste e sul do país, com faixa de largura variável, que atravessava as regiões onde hoje estão as fronteiras com Argentina e Paraguai.
Espécies imponentes de árvores são encontradas no que ainda resta deste bioma, como o jequitibá-rosa, que pode chegar a 40 metros de altura e 4 metros de diâmetro. Também destacam-se nesse cenário várias outras espécies: o pinheiro-do-paraná, o cedro, as figueiras, os ipês, a braúna e o pau-brasil, entre muitas outras. Na diversidade da Mata Atlântica são encontradas matas de altitude, como a Serra do Mar (1.100 metros) e Itatiaia (1.600 metros), onde a neblina é constante.

Paralelamente à riqueza vegetal, a fauna é o que mais impressiona na região. A maior parte das espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção são originários da Mata Atlântica, como os micos-leões, a lontra, a onça-pintada, o tatu-canastra e a arara-azul-pequena. Além desta lista, também vivem na região gambás, tamanduás, preguiças, antas, veados, cotias, quatis etc.

Apesar da devastação sofrida, a riqueza das espécies animais e vegetais que ainda se abrigam na Mata Atlântica é espantosa. Em alguns trechos remanescentes de floresta os níveis de biodiversidade são considerados os maiores do planeta.


AMEAÇAS

A Mata Atlântica é uma das florestas tropicais mais ameaçadas do mundo. De fato, é o ecossistema brasileiro que mais sofreu os impactos ambientais dos ciclos econômicos da história do país. Para se ter uma idéia da situação de risco em que se encontra, basta saber que à época do descobrimento do Brasil ela tinha uma área equivalente a um terço da Amazônia, ou 12% do território nacional, estendendo-se do Ceará ao Rio Grande do Sul. Hoje, está reduzida a apenas 7% de sua área original.

Em contraste com a exuberância da biodiversidade local, as estatísticas indicam que mais de 70% da população brasileira vive na região da Mata Atlântica. Além de abrigar a maioria das cidades e regiões metropolitanas do país, a área original da floresta também concentra os grandes pólos industriais, petroleiros e portuários do Brasil, respondendo por nada menos de 80% do PIB nacional.

Durante 500 anos a Mata Atlântica propiciou lucro fácil ao homem. Ainda no século XVI, houve a extração predatória do pau-brasil, utilizado para tintura de tecidos e construção. A segunda grande investida foi o ciclo da cana-de-açúcar. Grandes áreas de Mata Atlântica foram destruídas, não apenas para abrir espaço para os canaviais, mas também para alimentar as construções dos engenhos e as fornalhas da indústria do açúcar. O descaso ambiental era tão grande que, até o final do século XIX, ao invés de alimentar as caldeiras dos engenhos com o próprio bagaço da cana, prática rotineira no Caribe, optava-se por queimar árvores para servir de lenha.

No século XVIII, foram as jazidas de ouro que atraíram para o interior um grande número de portugueses. A imigração levou a novos desmatamentos, que se estenderam até os limites com o Cerrado, para a implantação de agricultura e pecuária. No século seguinte foi a vez do café, que exerceu um grande impacto sobre a Mata Atlântica. As florestas que cobriam o Vale do Paraíba, centro da produção cafeeira, foram destruídas com total falta de cuidado. O café, espécie de origem africana acostumado a crescer em áreas sombreadas, foi cultivado no Brasil em espaços abertos e desflorestados. As queimadas, feitas de forma descuidada, espalhavam-se pelas fazendas.

E, então, já na metade do século XX, chegou a vez da extração da madeira. No Espírito Santo, as matas passaram a ser derrubadas para fornecer matéria-prima para a indústria de papel e celulose. Em São Paulo, a implantação do Pólo Petroquímico de Cubatão tornou-se conhecida internacionalmente como exemplo de poluição urbana. Esse processo desorientado de desenvolvimento ameaça inúmeras espécies, algumas quase extintas como o mico-leão-da-cara-dourada, a onça pintada e a jaguatirica.

Do período colonial aos dias de hoje, as florestas da Mata Atlântica estão reduzidas a 7% de sua cobertura original, com áreas específicas, como as florestas de Araucária, com apenas 1% da cobertura remanescente.


Água e Mata Atlântica


A dimensão do domínio da Mata Atlântica, superior a 1,3 milhão de quilômetros quadrados, é tão ou mais grandiosa quanto a dos serviços ambientais que propicia aos habitantes de seu território.

Mesmo reduzida e fragmentada, a mata exerce influência direta na vida de cerca de 80% da população do país: nas cidades, áreas rurais, comunidades caiçaras ou indígenas, protege o clima, regula o fluxo dos mananciais, a fertilidade do solo, a proteção de encostas, entre tantas outras funções.

As grandes capitais brasileiras, por exemplo, - São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG) – são completamente abastecidas pelos rios que afloram desses remanescentes. E calcula-se que a Mata Atlântica garanta o abastecimento de mais de 120 milhões de pessoas, abrigando rios do porte do Paraná, Tietê, Doce, Paraíba do Sul, São Francisco, Paranapanema e Ribeira do Iguape.

Mas é na relação complementar entre a floresta e a água que a importância desse bioma pode ser melhor compreendida. Os remanescentes regulam a vazão dos rios, atenuando as enchentes, e após as chuvas permitem que a água escoe gradativamente.

Também filtram sedimentos, retidos na chamada mata ciliar, e melhoram a qualidade da água. O armazenamento da água da chuva, em mananciais de superfície ou reservatórios subterrâneos, ocorre ainda pela infiltração paulatina no solo, garantida pela folhagem, pelo tronco das árvores e suas raízes. E muitos dos processos erosivos são evitados por ação da cobertura florestal.

De outro lado, a poluição e escassez da água são determinantes para a degradação das florestas.

Explica-se, assim, porque maciços florestais como o da Cantareira, inserido na Região Metropolitana de São Paulo, são responsáveis pelo equilíbrio climático da cidade, pela manutenção da umidade e, principalmente, pela produção de água para a população. Só o Sistema Cantareira abastece 46% da população paulistana, onde se localiza este importante fragmento de Mata Atlântica.

Já em cidades como Bertioga, São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, praticamente toda a água consumida vem das nascentes que brotam na serra. O Parque Estadual da Serra do Mar, maior área legalmente protegida da Mata Atlântica do país, responde pela produção de água potável para boa parte do Vale do Paraíba, além do litoral centro e norte de São Paulo.

Benefícios como esses propiciados pela natureza dependem de mecanismos econômicos que os valorize frente à necessidade de uso pelo ser humano.

Da mesma forma que algumas matérias-primas possuem valor financeiro, os serviços prestados pelos ecossistemas, como a manutenção do equilíbrio hidrológico ou a capacidade de produção de água, precisam cada vez mais de instrumentos como a cobrança pelo uso da água ou a comercialização de créditos de carbono, como forma de reconhecer sua importância e proteger a floresta do qual são parte.

"Planejar a conservação desta região tão importante de maneira efetiva, que traga benefícios para a natureza e seus cidadãos, é um desafio. Por isso o WWF-Brasil, com auxilio de diversos parceiros, vem desenvolvendo e utilizando a Visão da Ecorregião da Serra do Mar. Um planejamento ecorregional que servirá como ferramenta para a implantação de políticas públicas e projetos de conservação em parceria com a sociedade", reforça a coordenadora do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil, Luciana Simões.

FONTE: WWF BRASIL, 2011.

A cada post sobre os nosso Biomas, vejo o quanto é necessária a proteção e prncipalmente a busca por soluções para que se evite a destruição completa de toda biodiversidade brasileira. Através do conhecimento das características de tais formações florestais brasileiras é que podemos saber como agir diante de tantas ameaças existentes na atualidade.

Espero que tenha sido de grande utilidade as informações que o Impactogeo vem trazendo para todos vocês! O nosso objetivo é levar o conhecimento até vocês para que posteriormente seja expandido a todos os que lutam pela proteção ambiental.

Abraço a todos!!!
Joka Santos

Satélites detectam impacto da seca de 2010 sobre a Amazônia

A agência espacial americana, Nasa, revelou esta semana um novo estudo sobre a floresta Amazônica e os resultados não são dos melhores. Segundo a instituição, após a seca de 2010 o nível de verde da floresta diminuiu em cerca de nove vezes o estado do Tocantins e não voltou ao normal, mesmo após o fim da temporada.



O estudo foi elaborado por uma equipe internacional de cientistas que usaram mais de uma década de dados coletados pelos instrumentos MODIS (Espectroradiômetro Imageador de Resolução Moderada) e TRIMM (Missão para Medição de Precipitação Tropical), a bordo dos satélites de sensoriamento remoto TERRA e AQUA. A análise dos dados produziu mapas detalhados da vegetação amazônica e demonstrou que o verdor da floresta diminuiu significativamente após a seca de 2010.
O trabalho foi conduzido pelo cientista Xu Ling, ligado à Universidade de Boston e aceito para publicação na revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica Americana.

Aquecimento Global

A sensibilidade à seca das florestas tropicais da Amazônia é um assunto de intenso estudo por parte dos especialistas. Os modelos de computador preveem uma mudança climática com temperaturas mais quentes e padrões de precipitação alterados que podem levar ao estresse hídrico das florestas, transformado-as em pastagens ou cerrados arborizados. Os modelos também mostram que esse processo liberaria na atmosfera o carbono armazenado na madeira podre, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento do planeta.

Essa interpretação também é compartilhada por centenas de cientistas e instituições ligados ao IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que alertaram que secas similares poderiam ser mais frequentes na região da Amazônia no futuro.

Em seus estudos, os autores desenvolveram mapas das zonas afetadas pela seca utilizando os limiares de precipitação abaixo da média como guia. Em seguida, identificaram as áreas de vegetação usando dois diferentes índices de vegetação, capazes de identificar áreas foliares ou em desenvolvimento.

Os mapas mostram que a seca de 2010 reduziu as áreas verdes em cerca de 2.5 milhões de km quadrados, mais de quatro vezes a área afetada pela severa seca que atingiu a região em 2005.

"Os dados coletados pelo instrumento MODIS sugerem um impacto severo, generalizado e de longa duração na vegetação amazônica, maior que aquele inferido baseado apenas em dados pluviométricos", disse a cientista Arindam Samanta, coautora do trabalho, ligada ao Instituto de Pesquisas Atmosférica e Ambientais, de Lexington, Massachussets.

A severidade da seca de 2010 também pode ser observada nos registros dos níveis da água dos rios de toda a bacia amazônica, incluindo o Rio Negro, que representa os níveis de precipitação sobre toda a Amazônia ocidental. Os níveis fluviométricos começaram a cair no final de agosto de 2010 e atingiram níveis recordes de baixa no final de outubro. A normalização só começou com chegada das chuvas no inverno da região.

Segundo pesquisador Marcos Costa, coautor do estudo junto à Universidade Federal de Viçosa, o trabalho confirma as observações feitas nos níveis dos rios da região. "2010 foi o ano mais seco já registrado com base em 109 anos de observações do Rio Negro no porto de Manaus", disse o pesquisador.

Plataforma NEX

Assim que os primeiros relatos de uma severa seca começaram a aparecer na mídia no ano passado, os autores passaram a processar em tempo quase real as gigantescas quantidades de dados coletados pelos satélites. Para isso utilizaram a plataforma NEX, desenvolvida pelo centro Ames, da Nasa, que permite análises em um ambiente colaborativo de supercomputação, reunindo dados, modelos e recursos de computação.

Com NEX os autores puderam obter rapidamente uma visão em larga escala do impacto da seca nas florestas da Amazônia, finalizando o trabalho em janeiro de 2011. Trabalhos similares sobre o impacto da seca em 2005 levaram cerca de dois anos para serem publicados.

"O monitoramento da vegetação do nosso planeta através de satélites é crítico e com o NEX podemos fazer o trabalho de forma muito mais eficiente e fornecer informações em tempo quase real", disse Nemani Ramakrishna, cientista junto ao Ames e autor de artigo sobre o projeto NEX, publicado esta semana na revista especializada Eos, também ligada á União Geofísica Americana.

Arte: mapa mostra a anomalia de vegetação entre os meses de julho a setembro de 2010, obtida com os dados coletados pelos satélites TERRA e AQUA. Crédito: Nasa/Ames Research Center/Apolo11.
Fonte: Apolo11 - http://www.apolo11.com/mudancas_climaticas.php?titulo=Satelites_detectam_impacto_da_seca_de_2010_sobre_a_Amazonia&posic=dat_20110330-111129.inc